Trump confirma ter autorizado ciberataque contra Rússia em 2018

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Presidente dos EUA confirmou pela 1ª vez que autorizou um ciberataque contra a Agência de Pesquisa na Internet da Rússia durante eleições intercalares de 2018
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O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou numa entrevista ao colunista Marc Thiessen, do Washington Post, que havia autorizado um ciberataque contra a Agência de Pesquisa na Internet (IRA, na sigla em inglês) da Rússia em 2018, durante as eleições intercalares — também conhecidas como midterms.

Thyssen perguntou se Trump havia lançado o ciberataque contra Moscou há dois anos, ao que o presidente respondeu: “Correto”. Em seguida, acrescentou que essa decisão fazia parte de uma política mais ampla de confrontar a Rússia em todo o mundo.

A Agência de Pesquisa na Internet da Rússia foi acusada por Washington, em 2016, de conspiração por liderar a interferência nas eleições presidenciais dos EUA. Em 2018, o secretário de defesa James Mattis confirmou interferência russa nas eleições intercalares, que ocorrem dois anos após o início do mandato de um presidente e são voltadas ao Senado e Câmara dos Deputados.

Ciberataque contra Rússia

O Washington Post noticiou o ciberataque que cortou o acesso à internet da agência russa em fevereiro de 2019. Mas essa foi a primeira vez que o presidente Trump confirmou que o ciberataque ocorreu. Isso surpreende porque é incomum que países falem publicamente sobre suas táticas de “guerra cibernética”.

Na época, o Post publicou que o ciberataque dos EUA começou no primeiro dia de votação das midterms e seguiu por alguns dias, enquanto as votações eram registradas.

Contexto da confirmação de Trump

Na entrevista ao colunista, o presidente dos EUA afirmou que ninguém havia sido mais duro com a Rússia do que ele. 

Essa afirmação vem uma semana após Trump ter comutado a pena de prisão de seu amigo e consultor político Roger Stone. Ele havia sido condenado, em fevereiro deste ano, a 40 meses de prisão por mentir para o comitê de inteligência do Legislativo a respeito de suas tentativas de entrar em contato com o WikiLeaks, que divulgou e-mails de Hillary Clinton, adversária de Trump nas eleições de 2016. A pena foi por obstruir uma investigação do Congresso ligada à conspiração russa.

Roger Stone
Facebook removeu 50 páginas pessoais e profissionais ligadas a Roger Stone, amigo de Donald Trump

Isso, por sua vez, ocorreu dias depois do Facebook anunciar que tinha removido 50 páginas pessoais e profissionais ligadas a Roger Stone. A remoção ocorreu após uma investigação realizada pela rede social concluir que Stone e seus associados haviam usado contas e seguidores falsos para divulgar livros e postagens do aliado de Trump.

O presidente dos EUA também enfrenta críticas pela sua atitude em relação à Rússia, porque recentemente o jornal New York Times publicou que os serviços de informação dos EUA haviam concluído que responsáveis russos tinham oferecido recompensas por ataques bem-sucedidos a militares norte-americanos, em 2019. Nesta época, EUA e os talibãs negociavam um fim para o conflito no Afeganistão.

Trump negou, no Twitter, ter sido informado sobre “alegados ataques às nossas tropas no Afeganistão por russos” e chamou a reportagem publicada pelo jornal de “fake news”.

Imbróglio das eleições presidenciais de 2016

Ilustração de Donald Trump e Hillary Clinton
Após eleição de Trump, Obama impôs sanções contra Rússia como retaliação

O presidente também disse ao colunista do Post que, em 2016, o então presidente Barack Obama “sabia que a Rússia estava envolvida em manipulação, mas não disse nada”. Para Trump, isso aconteceu porque Obama achava que a candidata presidencial Hillary Clinton venceria as eleições.

Em outubro de 2016, a administração Obama acusou formalmente a Rússia de hackear “computadores democratas” para roubar e-mails que, em seguida, foram publicados no site WikiLeaks. Em dezembro daquele ano, um mês após Trump ter vencido as eleições, Obama expulsou 35 diplomatas russos e impôs sanções contra dirigentes do governo e da inteligência da Rússia como forma de retaliação.

Alguns meses depois, em abril de 2019, o Departamento de Justiça dos EUA publicou o relatório final da investigação do assessor especial Robert Mueller sobre alegações de colusão entre Trump e a Rússia e interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA.

Segundo o relatório, o assessor especial não encontrou conluio entre autoridades russas e a campanha de Trump. Porém, Mueller alega que Moscou tentou interferir nas eleições. A Rússia negou as acusações, afirmando que nunca se intrometeu nos assuntos internos dos EUA.

Fontes: Business Insider, Foreign Policy, New York Times e Washington Post

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