Trabalho remoto aumentou o assédio e discriminação a minorias em empresas de tecnologia

Trabalho remoto aumentou o assédio
Pesquisa do Project Include revela que trabalho remoto aumentou o assédio moral contra minorias nas empresas do Vale do Silício

A Project Include, uma organização sem fins lucrativos, divulgou uma pesquisa realizada com colaboradores das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício para compreender como o trabalho remoto aumentou o assédio e discriminação entre colegas. Um em cada quatro entrevistados relatou uma percepção de aumento do preconceito de gênero e 98% das vítimas eram mulheres ou pessoas que se declaram do gênero não binário.

85% dos participantes da pesquisa relataram um aumento do sentimento de ansiedade desde o início da pandemia do covid-19
85% dos participantes da pesquisa relataram um aumento do sentimento de ansiedade desde o início da pandemia do COVID-19

A princípio houve uma sensação que, problemas infelizmente ainda comuns da convivência social no universo corporativo, como assédio moral ou sexual, maus tratos físicos ou psicológicos, síndrome de burnout e discriminação, poderiam cessar com o trabalho remoto. Mas o processo resultante do isolamento social provou que os antigos problemas permaneceram e em muitos casos se amplificaram.

Atitudes hostis e de assédio contra colegas continuaram ocorrendo, tomando novas formas de serem propagadas, somando-se ao estresse provocado por toda ansiedade que as pessoas passaram a ter. O resultado na saúde mental dos colaboradores que somam a ansiedade de tempos incertos com assédios e preconceitos massificados resultam em uma verdadeira “bomba-relógio” de danos na entrega de tarefas e produtividade como um todo.

45% das mulheres afro-americanas relataram receber comentários preconceituosos de seus colegas de trabalho
45% das mulheres afro-americanas relataram receber comentários preconceituosos de seus colegas de trabalho

Se o trabalho remoto aumentou o assédio, quais são os meios pelos quais eles são propagados com o isolamento social? De acordo com a pesquisa da Project Include, ao listarmos as principais ferramentas utilizadas pelas empresas de tecnologia, estas são as porcentagens pelas quais os trabalhadores perceberam situações de discriminação.

  • chat45%
  • e-mail 41%
  • reuniões por vídeo41%
  • ferramentas de produtividade 25%

Quando se fala em uma relação interpessoal envolvendo discriminação, ela pode ser racial, de gênero, orientação sexual e há relatos de funcionários mais velhos sofrendo assédio por conta de sua idade. Um em cada 10 colaboradores entrevistados declararam sofrer algum tipo de preconceito racial. Destes, 94% eram latinos, asiáticos e, em sua ampla maioria, afro-americanos.

23% dos trabalhadores acima dos 50 anos mencionaram sofrer hostilidade de outros colaboradores por conta de sua idade
23% dos trabalhadores acima dos 50 anos mencionaram sofrer hostilidade de outros colaboradores por conta de sua idade

Como mencionado anteriormente, as hostilidades entre colegas, chefes e subordinados, são as mais variadas possíveis. Incluísse aí também a percepção de que, mesmo em casa, as pessoas estão trabalhando muito mais do que se estivessem no escritório. 64% relatou que estão trabalhando muito mais horas do que antes da pandemia do COVID-19 e 54% declarou que seus chefes esperam que eles estejam o tempo todo on-line/disponíveis para a realização de tarefas, mesmo em períodos que seriam considerados “folga, finais de semana ou férias” ou “fora do horário de expediente”.

E assim como as ferramentas se tornaram um meio de propagar preconceitos, na questão da pressão de vigilância constante do funcionário no trabalho remoto elas também se fazem muito presentes. Há rastreadores de toques no teclado, vídeos do funcionário trabalhando ou capturas de tela registrando suas atividades.

As soluções para estas problemáticas incluem um longo trabalho que envolve mudanças na estrutura cultural da empresa. Já é ruim o suficiente vivenciar tudo que está acontecendo com a pandemia, adicionar mais estes traumas na conta emocional do funcionário, além de não ser saudável, resulta em perdas de produtividade e, consequentemente, de lucro para empresa.

Infelizmente 35% dos pesquisados afirmou que não confiam que suas empresas darão uma resposta adequada a denúncias de assédio e discriminação. Mesmo assim, toda e qualquer atitude preconceituosa no âmbito corporativo deve e precisa ser denunciada. O silêncio, nestes casos, jamais resultará na tão necessária mudança.

37% dos funcionários relataram que seus chefes esperam que eles estejam disponíveis assim que solicitado
37% dos funcionários relataram que seus chefes esperam que eles estejam disponíveis assim que solicitado

Sobre o Project Include

Fundado em 2015 em São Franciso/Califórnia (EUA), o Project Include tem como missão promover a igualdade no setor de tecnologia, seja de gênero, raça e demais minorias. A organização sem fins lucrativos utiliza coleta de dados e divulgação de pesquisas de conscientização como defesa para acelerar o processo de diversidade e inclusão na indústria de tecnologia.

Fonte: Project Include

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