TikTok pode ser vendido a investidores dos EUA para evitar sanções no país

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Movimento seria uma tentativa de afastar o TikTok das disputas políticas entre os Estados Unidos e a China
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O aplicativo mais baixado do mundo nos últimos meses pode estar mudando de dono: fontes indicam que a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, pode acabar vendendo a subsidiária responsável pelo app para investidores dos Estados Unidos como forma de diminuir o escrutínio do governo federal do país sobre o app.

De acordo com o site The Information, o TikTok seria adquirido por investidores americanos que já possuem ações da ByteDance, permitindo que essas pessoas possam tomar controle da plataforma.

A manobra seria uma forma de “acalmar os ânimos” do governo dos EUA, que nos últimos meses tem acusado o TikTok de espionar os usuários do país e enviar os dados dessas pessoas para o governo chinês. Essa suposta espionagem — que, até o momento, não foram divulgadas nenhuma prova de que ela realmente esteja acontecendo — seria o motivo apontado pelo governo dos Estados Unidos ao defender o banimento do aplicativo no país.

Por enquanto tudo ainda está na fase da especulação, e não há qualquer definição de quando esta compra deverá acontecer. Mas como Zhang Yiming, CEO e fundador da ByteDance, já havia revelado em entrevistas prévias que poderia vender o TikTok caso fosse necessário para garantir o crescimento futuro do aplicativo, então existe a possibilidade real dessas conversas iniciais saírem do ponto da especulação.

Até o momento, os fundos de investimento que se mostraram interessados pela aquisição do TikTok foram a General Atlantic e a Sequoia Capital, mas é provável que mais nomes apareçam com interesse na aquisição caso ela venha mesmo a acontecer.

Entendendo o TikTok nos Estados Unidos

TikTok pode ser comprado por investidores americanos em um futuro próximo
TikTok é o mais recente alvo da longa disputa política entre EUA e China (Imagem: BBC)

O TikTok é o alvo mais recente da “guerra fiscal” entre os Estados Unidos e a China, que desde o início da pandemia de COVID-19 tem se tornado cada vez menos amistosa, e que resultou no governo dos Estados Unidos exigindo o fechamento do consulado chinês na cidade de Houston (nos estado do Texas) nesta quarta-feira (22).

As principais acusações do governo americano são sempre as mesmas: a de que os chineses estariam espionando os cidadãos do país e roubando propriedade intelectual de empresas americanas. Esse foi o motivo dado para colocar a Huawei na “lista negra” dos Estados Unidos (o que impede a empresa chinesa de vender seus produtos no país e fechar contratos com qualquer empresa que possua sede nos EUA), no pedido de fechamento do consulado em Houston e nas conversas que existem sobre a possibilidade de banir o uso do TikTok para todo o país.

Caso este banimento aconteça, os Estados Unidos não seria o primeiro país a proibir o TikTok em seu território: no final de junho, a aplicativo chinês já foi banido da Índia, impedindo o acesso ao app aos mais de 200 milhões de usuários do país — o maior mercado consumidor do aplicativo fora da China.

Mas, além de conseguir se descolar das tensões existentes entre os Estados Unidos e China, uma aquisição por um grupo de investimento americano—- o que, na prática, mudaria a sede do TikTok para dentro dos Estados Unidos — pode fazer bastante sentido pelo tamanho do investimento que a empresa dona do app está fazendo no país.

Isto porque, além de já ter 1.400 funcionários instalados dentro dos Estados Unidos, há um movimento da companhia para contratar mais 10 mil pessoas para atuar no país nos setores de engenharia, vendas, moderação de conteúdo e atendimento ao consumidor para operações nos estados da Califórnia, Nova York, Texas, Flórida e Tennessee. Além disso, o New York Times também revelou recentemente que a empresa trouxe uma equipe com mais de 35 lobistas para a capital dos EUA com o objetivo de melhorar as relações do app com o governo do país.

Fonte: The Information, Reuters

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