O que o Vale do Silício pode ensinar ao mundo?

oracle 1194372 1280
Entenda um pouco o sucesso do principal polo de inovação do mundo, o Vale do Silício, e o que ele tem a ensinar

O Vale do Silício fica localizado na Califórnia, Estados Unidos, e é um nome dado a uma região da baía de São Francisco onde ficam localizadas várias empresas de alta tecnologia. O nome foi escolhido pelo fato das empresas no início pesquisarem e manufaturarem circuitos integrados de silício, porém hoje em dia ele já se tornou sede para várias empresas de renome e Startups.

Considerado o coração da tecnologia moderna, o Vale do Silício se tornou um sonho para muitos profissionais do ramo e o centro da revolução tecnológica. Mas por que esse sucesso todo e o que outras regiões podem aprender com ele?

A relação com Stanford

Embora o Vale do Silício colecione uma série de fatores que contribuem para esse sucesso e a grande quantidade de empresas bem sucedidas, não há como negar que um dos fatores mais importantes (se não o mais importante) é sua proximidade com a Universidade de Stanford.

A relação entre o Vale do Silício e a universidade Stanford foi primordial para o sucesso da região
A relação entre o Vale do Silício e a universidade Stanford foi primordial para o sucesso da região

A instituição de elite educacional está intimamente ligada com a história do vale. O Parque de Pesquisas de Stanford, fundado a partir da união da universidade e do governo local de Palo Alto desenvolveu tecnologias ou planos de negócios de várias empresas de sucesso como eBay, Electronic Arts, LinkedIn, HP, Google, Netflix, Nvidia, Logitech, Facebook, entre outras. Além disso, a universidade também garante um grande número de profissionais talentosos para trabalhar no Vale.

Mark Granovetter, professor de sociologia da Stanford, afirmou que:

“O relacionamento entre a Stanford e o Vale do Silício vem de centenas de anos atrás. Ela foi solidificada nos anos 40, quando o diretor da Escola de Engenharia, Fredereick Terman, decidiu alugar vários trechos amplos das terras de Stanford para empresas como a Hewlett-Packard, assim seria mais fácil para os cientistas ficarem indo e vindo.”

De fato, o co-fundador da HP, William Hewlett, escreveu em 1991 que:

“A presença da universidade de Stanford foi um fator chave para o desenvolvimento do empreendedorismo tecnológico conhecido como Vale do Silício. Mais do que ninguém, foi Terman, seus estudantes e a coragem e a oportunidade que ele proporcionou a eles que permitiram que grandes empresas pudessem prosperar.”

É uma relação de cooperação, uma vez que as grandes empresas de tecnologias também garantem grandes doações e enchem os cofres da universidade. Stanford oferece para as empresas um suprimento constante de trabalhadores talentosos e preparados e os investimentos na universidade garante a esses estudantes as ferramentas para se tornarem os melhores e a possibilidade de serem contratados para um trabalho lucrativo.

Hoje em dia, o ex-presidente de Stanford, John Hennessy, é presidente da Alphabet, a empresa-mãe do Google. Mark Granovetter explica um pouco sobre essa relação:

“O pano de fundo disso é que Stanford possui enormes extensões de terra – cerca de 21 quilômetros quadrados – e pode criar instituições como este Parque Industrial de Stanford, que outras universidades não seriam capazes de imitar. Penso que, em vez de replicar o relacionamento entre Stanford e o Vale do Silício, outros centros devem pensar sobre quais são seus pontos fortes distintos e desenvolver a partir deles.”

O que o Vale do Silício oferece

Mas não é só de graduados de Stanford que vive o Vale do Silício. O local atrai um fluxo enorme de pessoas que buscam a oportunidade de trabalhar por lá e se juntar ao principal polo de inovação do mundo.

A sede do Google é conhecida como uma das mais divertidas para se trabalhar
A sede do Google é conhecida como uma das mais divertidas para se trabalhar

São muitos os motivos que atraem essa quantidade enorme de candidatos. Em uma visão mais ampla é possível citar vantagens como salários de 6 dígitos, serviço de fornecimento de refeições coletivas, de lavagem a seco, festas, eventos gratuitos e escritórios enormes e com comodidades como uma mesa de ping pong, jogos de fliperama e até salas para cochilo.

Mas, claro, embora esses fatores sejam mesmo atraentes para um local de trabalho, não são realmente o que atrai tantos trabalhadores para o Vale, segundo Brendan Browne, vice-presidente de aquisição global de talentos do LinkedIn.

“Eu não acho que alguém venha aqui porque temos os melhores lanches ou as melhores vantagens. As oportunidades de aprendizado para novos funcionários são enormes.”

Segundo Brendan, algo que torna o Vale do Silício um local de crescimento e de tanto sucesso é a natureza colaborativa da sua cultura profissional. Lá, eles mesclam uma alta dose de conhecimento com uma cultura de rede e o resultado disso é um ambiente mais do que ideal para promover inovações e crescimento.

“Quando saí [para o Vale do Silício], as pessoas eram tão colaborativas que quase me pegaram de surpresa. Como, para mim, as pessoas ficaram [felizes] em olhar para as ideias ou dizer ‘por que você não conversa com fulano, ele está fazendo algo semelhante’ ou ‘Fulano pode ser capaz de dar algum feedback sobre essa ideia ‘, enquanto eu acho que em outras culturas ou regiões geográficas, as pessoas são mais como’ vou guardar todos os segredos para mim, não quero a sua ideia e certamente não vou lhe dar a minha ideia ‘. Então isso é uma grande parte. ”

O segredo da Inovação

Um dos pontos fortes do Vale do Silício é a forma como eles enxergam o trabalho colaborativo e as melhores condições para se ter os melhores empregados. A começar com as ferramentas que eles usam para isso como plataformas de colaboração como o Slack ou o Microsoft Team, que são ótimas para manter os trabalhadores conectados independente de onde estejam.

Um dos grandes segredos do sucesso do Vale do Silício é a determinação de experimentar o que é novo
Um dos grandes segredos do sucesso do Vale do Silício é a determinação de experimentar o que é novo

É uma visão que muitas empresas podem usar e se beneficiar. De acordo com Stanford, permitir que os empregados possam trabalhar de casa ajuda a reduzir atritos entre a equipe e melhora a produtividade equivalente a um dia extra de trabalho. Além disso, facilita a chance de poder contratar os melhores profissionais mesmo que eles não morem por perto.

Um conceito que eles sempre seguem e que funciona é o de transformação digital. As empresas de lá são as melhores do mundo em termos de aceitar e abraçar novas ideias e se arriscar com estratégias inéditas.

Brendam Bowne acrescenta:

“Acho que há uma história que antecede o Vale do Silício como a conhecemos hoje que contribui para o espírito do empreendedorismo e da tomada de riscos, com o motivo pelo qual as pessoas ainda hoje se dirigem para o Vale do Silício para perseguir ideias. E um pouco disso antes que houvesse alguma tecnologia, muitas pessoas pareciam ir a este país da costa leste à costa oeste, especificamente à Califórnia, porque queriam algo novo, queriam criar e criar uma nova vida ou perseguir alguma ideia.”

O resultado é um ambiente onde a criatividade e a inovação podem florescer. Com isso é muito mais fácil criar novos produtos e tecnologias sem correr o risco de ter líderes conservadores impedindo que isso aconteça. Seguindo essa visão do Vale do Silício, muitas empresas no mundo todo podem se reinventar, garantir um ambiente de trabalho melhor e com mais inovações.

A região conta, claro, com muitos investidores de poder, mas ainda assim há uma lição a ser aprendida com a forma com que eles lidam com essa questão. Mesmo as empresas que estão começando ou as que estão seguindo em frente, não devem ficar a procura de onde está o dinheiro. Ao invés disso, o ideal é saber aproveitar a relação com os parceiros que já têm e saber fazer uso total dos recursos e conhecimentos que eles proporcionam.

Fonte: ItPro

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar um comentário