Índice de intenção de consumo tem maior alta desde maio, diz CNC

Índice de intenção de consumo tem maior alta desde maio, diz cnc
Intenção de consumo em dezembro é a pior desde que o índice foi criado, ainda assim, representa a quarta alta consecutiva desse ano e anima especialistas

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acaba de revelar uma boa notícia para a economia brasileira. Neste dezembro, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) teve a maior alta desde maio, atingindo o patamar de 72,1 pontos. Em comparação com novembro, o aumento foi de 1,2%, porém, como já era de se esperar, este foi o pior final de ano da série histórica do índice.

A fim de quantificar o apetite dos brasileiros para consumir, o levantamento considera diversos fatores, como a percepção das famílias sobre sua renda, emprego e condições para comprar. Para que o índice seja considerado satisfatório, no entanto, é preciso que a intenção de consumo das famílias esteja acima dos 100 pontos, o que não ocorre desde abril de 2015, quando o ICF nacional registrou 102,9 pontos.

Em maio de 2020, segundo dados da própria CNC, o consumo das famílias brasileiras marcava 81,7 pontos, e apesar de esse ser um número mais alto que o registrado agora, ele já representava uma queda expressiva em relação a março. Naquele mês, a pandemia de COVID-19 começava a chegar ao Brasil e o índice registrava 99,9 pontos.

O impacto da pandemia fica especialmente claro quando, comparado a dezembro de 2019, o índice desse mês representa uma queda de 25,1% na predisposição das famílias em consumir. Apesar da alta, portanto, esse é o pior número registrado num mês de dezembro desde que o ICF foi criado, em 2010. E devido a esse ser um mês bastante aguardado pelos varejistas, em especial pelas vendas de natal, a queda em relação aos anos anteriores ganhou destaque na mídia.

Então o que há a comemorar?

Índice de intenção de consumo tem maior alta desde maio, diz cnc. Intenção de consumo em dezembro é a pior desde que o índice foi criado, ainda assim, representa a quarta alta consecutiva desse ano e anima especialistas
José Roberto Tadros, presidente da CNC, em matéria para O Globo, em 2013 (Imagem: Reprodução/O Globo)

Apesar da redução expressiva ao longo do ano, o salto registrado em dezembro é a quarta alta consecutiva do índice. Na prática, isso mostra que o ICF vem crescendo constantemente nos últimos meses, com as famílias brasileiras retomando, ainda que pouco a pouco, seu patamar de consumo. Segundo José Roberto Tadros, presidente da CNC, a expectativa é de que, com a vacinação contra COVID-19 tomando corpo no Brasil, a retomada do consumo seja estável e ganhe força em 2021.

“A confiança vem melhorando, mas de forma lenta, gradual, como não poderia deixar de ser diante do dramático quadro econômico provocado pela pandemia. Nossa expectativa é de que, com a vacinação já planejada pelo governo, esse processo de retomada da confiança tenha continuidade, provavelmente se acelerando nos próximos meses”

José Roberto Tadros, presidente da CNC

Conforme também aponta outro membro da CNC, dessa vez a economista Catarina Carneiro, os resultados positivos do ICF aumentam as expectativas de longo prazo para a economia. Ela cita, por exemplo, que a perspectiva profissional para o próximo semestre teve o maior crescimento no mês. Da mesma forma, os brasileiros não tinham uma percepção tão positiva sobre o futuro do mercado de trabalho desde maio de 2020, mostrando que a confiança sobre a oferta de empregos melhorou.

Em sua matéria sobre o estudo, a Agência Brasil revela que, dos sete tópicos usados para calcular o indicador em dezembro, seis apresentaram alta na comparação com novembro. A confiabilidade acerca do emprego atual subiu 0,6%; a renda atual 1%; a perspectiva profissional 3%; o acesso ao crédito 1,4%; o nível de consumo atual 0,9% e a perspectiva de consumo também subiu 1%. Nessa variação mensal, o único ponto que registrou queda foi a avaliação de momento para a compra de produtos duráveis, que caiu 0,2%.

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(Imagem: CNC)

Além de indicar a intenção de consumo nacional, o estudo também fez avaliações divididas por região e faixa de renda. Nas famílias que recebem mais de dez salários mínimos, o índice de intenção de consumo atingiu 82,6 pontos, com um aumento mensal de +1,4%. Já nas famílias com ganhos abaixo dessa quantia, o indicador atingiu 70,1 pontos, avançando +1,2% em relação a novembro.

Ao consultar as famílias sobre seu nível de consumo atual – ou seja, se estão consumindo, em dezembro de 2020, mais ou menos que em dezembro de 2019 – o estudo ainda concluiu que a maioria, 59,2%, afirma estar consumindo menos agora que no último ano. Por outro lado, o número de famílias que acredita estar consumindo mais nesse mesmo período atingiu 14,2%, um salto de 0,9% em relação ao mês passado.

Índice de intenção de consumo tem maior alta desde maio, diz cnc
(Imagem: CNC)

Analisando a situação por regiões, o estudo concluiu que o Sul é a região com o maior índice de intenção de consumo, com 75,2 pontos. Enquanto isso, as famílias da região Norte alcançaram 66,4 pontos, apresentando o menor indicador. Na hora de verificar qual ICF cresceu mais em comparação ao mês passado, a CNC verificou que o Centro-Oeste, com 71,9 pontos, teve a maior alta (+2,6%). Já a maior região do Brasil em densidade populacional, o Sudeste, atingiu 72,4 pontos esse mês, um salto de 1,2% em relação a novembro.

Emprego e perspectiva de consumo

Índice de intenção de consumo tem maior alta desde maio, diz cnc. Intenção de consumo em dezembro é a pior desde que o índice foi criado, ainda assim, representa a quarta alta consecutiva desse ano e anima especialistas
Maioria das famílias está mais confiante com seus empregos (Imagem: Reprodução/Internet)

Ainda de acordo com o relatório, outro ponto positivo vislumbrado em dezembro foi a segurança das famílias em relação ao emprego atual: 32,8% delas afirma que se sente tão segura com seu emprego agora quanto no ano passado. Já aqueles que se sentem menos seguros sobre o futuro de seus postos de trabalho chegam bem perto, compondo 32,0% dos entrevistados. Apesar de parecer uma situação “metade-metade”, o percentual de otimistas nesse tópico em 2019 era de apenas 25,9%.

No relatório completo divulgado pela CNC, é possível conferir as tabelas com o índice mensal de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) desde 2010. Na mesma página, também é possível baixar o relatório e conferir todas as impressões acerca dos pontos levantados na pesquisa, como a percepção do consumidor sobre acesso ao crédito e sua perspectiva de consumo. A maioria das famílias, 55,7%, acredita que vai consumir menos no próximo trimestre, mas 23,1% delas, 1% a mais que em novembro, espera consumir mais.

Fonres: CNC, InfoMoney, Agência Brasil

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