IDC e Dell anunciam resultados da 2ª edição de estudo sobre maturidade de TI

estudo IDC e DELL
Estudo desenvolvido pela IDC busca identificar a situação das empresas brasileiras no que diz respeito à infraestrutura de TI

A Intel e a Dell Technologies anunciariam, na última quinta-feira (21), os resultados da segunda edição do estudo sobre maturidade de TI, intitulado IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil. A responsável pelo estudo foi a IDC Brasil.

O objetivo do estudo da IDC é identificar qual a situação da infraestrutura de TI das empresas brasileiras mediante a transformação digital dos negócios. Realizada anualmente, a pesquisa deste ano mostrou que, em uma escala de 0 a 100, as empresas instaladas no país tiveram uma nota média de 46,4 pontos.

Apesar de ainda não estar satisfatória, a nota foi maior que a do ano passado. Isso mostra que houve um pequeno avanço das companhias em relação ao tema de Transformação de TI no período, mas que ainda há um longo caminho para que os ambientes tecnológicos acompanhem o ritmo acelerado de digitalização das corporações.

No total, foram entrevistados 250 profissionais responsáveis pela decisão de compra da infraestrutura de TI das empresas privadas (com mais de 250 funcionários). A análise, que foi realizada no último trimestre do ano passado, avaliou três grandes indicadores essenciais para a maturidade dos ambientes tecnológicos para suportar a transformação digital dos negócios.

Os indicadores avaliados foram: Processos Internos e Cultura, Automação de Processos e Modernização da Infraestrutura. A pontuação média de cada um deles foi, respectivamente, de 57,2, 35,7, e 46,3 (e a média aritmética desses três valores é a média geral de 46,4). No ano passado, os mesmos índices tiveram os valores de 55,2, 33,9 e 42, respectivamente.

estudo IDC e DELL
Resultado dos indicadores avaliados no estudo. (Imagem: IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil da IDC)

Comparando os dados do ano passado com os dados deste ano é possível ver que o indicador com maior aumento foi o de Modernização da Infraestrutura, que subiu mais de 4 pontos. No entanto, embora tenha apresentado melhora em tal indicador, a nota geral ainda é baixa.

Segundo João Bortone, diretor-geral de Vendas de Soluções para Data Center da Dell Technologies no Brasil, que as empresas apresentaram evolução, mas ainda têm um longo caminho pela frente.

“Os números confirmam que começa a existir uma mudança de comportamento, com uma tendência de aumento na modernização proativa da infraestrutura de TI, no entanto, cerca de 40% das empresas ainda seguem com um modelo reativo, no qual só realizam investimentos na atualização ao término de garantia ou contrato, em vez de priorizarem a otimização de workloads. É um cenário que pode gerar gargalos para o negócio, na medida em que os ambientes tecnológicos não estejam preparados para suportar o ritmo de digitalização das empresas”.

João Bortone, diretor-geral de Vendas de Soluções para Data Center da Dell

Modernização da Infraestrutura: hiperconvergência no radar dos gestores de TI

De acordo com o estudo da IDC, enquanto as organizações exigem respostas cada vez mais ágeis e flexíveis de TI, muitas empresas priorizam tecnologias modernas que atendam a tais requisitos. Nesse sentido, 16,8% dos líderes consultados afirmaram que já utilizam soluções hiperconvergentes e 14,8% pretendem implementá-las dentro de 1 a 2 anos.

Essas soluções hiperconvergentes são consideradas essenciais para assegurar mais agilidade no atendimento a novas demandas na camada de infraestrutura. No entanto, 30,8% dos entrevistados afirmam que não pretendem adotar e 21,6% até mesmo desconhecem o termo.

estudo IDC e DELL
Gráfico da forma como as empresas avaliam soluções hiperconvergentes. (Imagem: IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil da IDC)

Em contramão a esses resultados não tão agradáveis, o levantamento de 2019 mostrou que 67% das empresas planejam aumentar os orçamentos dedicados à segurança da informação neste ano, o que é uma boa notícia. Isso torna o tema a principal prioridade da área de TI, citada por 31% dos consultados.

Outro bom resultado é que a maior parte das empresas (45%) tem priorizado investimentos em virtualização como parte do caminho para modernização da infraestrutura de TI. Ainda, há certa desconfiança dos gestores de TI com relação à migração para cloud pública e só 6% das empresas pretende ter 100% das cargas de trabalho em tais ambientes em 2 anos. No ano passado, a porcentagem era de 7%.

André Ribeiro, diretor de Novos Negócios da Intel Brasil, afirmou que o Brasil é um país que tende a crescer no que diz respeito a Transformação Digital.

“O estudo traz um indicador excelente de quanto o mercado brasileiro está motivado a investir em inovação e em recursos que promovam a transformação digital, enquanto aumentam a segurança de suas infraestruturas e dados. Isso faz total sentido dentro da nossa estratégia de ampliar os limites da tecnologia para fazer com que o sonhado futuro não só aconteça, como traga as experiências mais incríveis para os consumidores e clientes”.

André Ribeiro, diretor de Novos Negócios da Intel Brasil

Automação de Processos: o indicador ainda é baixo

O fato de a Automação de Processos ter um índice baixo pode prejudicar a transformação digital. O salto de 2,2 pontos (de 33,7 para 35,9) entre o ano passado e este ano não foi suficiente para tirá-lo da posição mais baixa. Isso é consequência do fato de que poucas empresas afirmaram ter os recursos necessários para tarifar as áreas pelo uso efetivo da tecnologia.

Embora 22,4% das companhias afirmarem que a área de TI já cobra das áreas usuárias pelo efetivo proveito dos recursos de tecnologia, apenas 6,8% afirmaram que têm menus de autoatendimento completos para que as diferentes áreas da empresa provisionem recursos tecnológicos de acordo com a demanda.

Segundo o estudo, a virtualização é o principal ponto avaliado pelos gestores da infraestrutura de TI para automatizar a gestão dos ambientes e ter mais flexibilidade para atender novas demandas.

Ainda, 73,6% dos consultados no estudo do IDC afirmaram que apresentam de 51% a 100% do processamento de máquinas virtuais e os servidores ainda são os recursos mais virtualizados pelas empresas. 39% das empresas já adotam multicloud, mas apenas 26,8% trabalham em ambientes isolados, sem ferramentas de orquestração, integração e governança, de modo que não é possível colher todos os benefícios da nuvem híbrida.

estudo IDC e DELL
Percentual de virtualização da infraestrutura das empresas avaliadas. (Imagem: IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil da IDC)

Processos Internos e Cultura: TI como um diferencial competitivo

No estudo do IDC, embora a porcentagem do indicador de Processos Internos e Cultura tenha sido a maior (57,2), apenas um a cada três consultados vê a área de Tecnologia da Informação como um diferencial competitivo na visão das áreas de negócios. Isso se deve, principalmente, ao fato de que há uma dificuldade do time TI em comprovar seu valor dentro das organizações.

Um dos sinais de que há uma mudança nessa realidade é que, quando questionados sobre os critérios para decisão de escolha de soluções tecnológicas, o preço das soluções aparece empatado com o retorno sobre investimento (ROI) e atualização tecnológica.

“Após dois anos de dificuldade econômica, com investimentos restritos, é natural que os orçamentos de TI estejam limitados e precisem ser otimizados, o que justifica o fato de o preço da solução ser um fator fundamental para viabilizar os projetos. No entanto, sem clareza do ROI e do TCO (custo total de propriedade), a possibilidade de otimização do orçamento tende a ficar restrita. Novas tecnologias, por exemplo, tendem a ser mais estáveis, performáticas e energeticamente eficientes, possibilitando ganhos futuros com otimização de budget. Sem olhar para esse TCO, o gestor continuará a ter dificuldades para garantir uma sobra de dinheiro para investir em inovação.”

Pietro Delai, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC Brasil

Com relação ao ano passado, em 62,4% das empresas consultadas, mais de 50% dos orçamentos de TI das organizações são dedicados a manter o legado. Por outro lado, 42,02% são dedicados à inovação.

Estudo da IDC: Ferramenta para análise online

As empresas que são interessadas na avaliação do grau de maturidade da infraestrutura de TI podem se cadastrar gratuitamente na ferramenta IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil, desenvolvida pela IDC e patrocinado pela Dell Technologies e Intel. Consiste em uma análise online, por meio da qual as empresas brasileiras podem avaliar o grau de maturidade da sua infraestrutura de TI para suportar a transformação digital e comparar os resultados com outras organizações instaladas no país.

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar um comentário

Deixe uma resposta