Goldman Sachs não financiará empresas sem mulheres ou não-brancos em conselhos diretores

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Para CEO do banco americano de investimentos Goldman Sachs, este é um passo certo rumo à diversidade, que rende resultados financeiros

O Goldman Sachs, um dos principais bancos globais investimento, afirmou nesta semana que somente financiará ofertas públicas iniciais (IPO, sigla em inglês) de companhias cujo conselho diretor tiver pelo menos um membro “não-branco, não-homem”. O CEO David Solomon disse, em declaração sobre diversidade na última quinta-feira (23) para a CNBC, que isso valerá a partir do dia 1º de julho nos EUA e na Europa.

“Acho que este é um passo pequeno, mas é um passo mais perto de dizer ‘Quer saber? Nós achamos isso certo’. […] Estamos em uma posição, até por causa da nossa rede, de apoiar nossos clientes caso eles precisem de ajuda ao colocar mulheres no corpo diretor”

David Solomon, para a CNBC no Fórum de Davos na Suíça

O Goldman Sachs insistirá que toda a companhia possua pelo menos um “diretor diverso” – com foco em mulheres – e este número aumentará para dois em 2021. A instituição planeja trabalhar com companhias que apoiem melhorar a diversidade já antes de junho, incluindo acesso a uma rede de potenciais candidatos.

O Goldman Sachs quer acabar com a hegemonia branca dos conselhos de diretores
O Goldman Sachs quer acabar com a hegemonia branca dos conselhos de diretores

O CEO ainda reforça que há incentivos financeiros para companhias ao diversificar, citando experiências próprias na Goldman Sachs como exemplo. “Temos quatro mulheres de um total de 11 [membros], temos um chefe negro”, ele diz, após concluir com números: “nos últimos quatro anos, a performance de IPOs onde há pelo menos uma mulher nos EUA é significativamente melhor do que IPOs sem mulheres”.

Diversidade é tendência

Esta ordem tem sido uma entre diversos outros sinais apoiando a diversidade. BlackRock Inc. e a State Street Global Advisors (companhias americanas da área de investimento) votaram contra diretores de companhias sem mulheres. Companhias públicas 100% masculinas com sede na Califórnia ainda terão que pagar uma multa de 100 mil dólares por causa de uma nova lei estadual.

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BlackRock Inc. também caminhou rumo à diversidade (Créditos: TWSJ)

A Brunswick Corporation, corporação americana da indústria marinha, foi indicada pela Forbes como uma das melhores empregadoras de diversidade em 2020. O ranking, divulgado no dia 21 de janeiro, entrevistou 60 mil americanos que trabalham em empresas de pelo menos 1,000 funcionários.

Henry Ford Health System (organização de assistência médica com sede em Detroit) aparece pela primeira vez na lista na 2ª posição do ranking, logo atrás da SAP (corporação multinacional de softwares) que teve pontuação total de 85.89 do total de 100. Em 5º lugar temos a Visa, a mesma do cartão de crédito – que agora abraça a era do digital –, com uma pontuação redonda de 84/100.

Para Fred Foulkes, professor da Boston University Questrom School of Business em comentário para a Bloomberg, “isso é o que grandes investidores têm procurado nos dias de hoje […] se o conselho for totalmente branco e masculino, este é um grande ponto negativo”.

O banco reconhece que o termo “diversidade” possui diferentes significados ao redor do mundo, incluindo na Ásia onde essa dinâmica e disparidade de gênero podem estar ainda mais em evidência. Em comentário oficial feito na sexta-feira (24), disseram eventualmente expandir o mandato para além da Europa e América.

TOP 25

No ano passado, o Goldman Sachs foi contratado para subscrever o IPO da WeWork, gigante do setor de escritórios compartilhados, que tinha adicionado somente uma diretora após o prospecto inicial ter criticado seu conselho de homens. Ainda assim, os conselhos diretores novos ainda são menos diversos: no TOP 25 de IPOs, entre 2014 e 2018, 10 companhias não possuíam nenhuma mulher.

Também em 2019, Goldman Sachs foi o maior banco de ofertas públicas iniciais (bookrunner) de acordo com o The Wall Street Journal, ficando em 2ª posição no ano anterior. Enquanto esperamos para ver se esta mudança se tornará tendência ao longo deste primeiro semestre, vale ficar ligado em outras tendências para 2020.

Fontes: Bloomberg, The Hill, CNBC, WSJ, Financial News London, BoatingIndustry, Forbes.

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