Funcionários do LinkedIn defendem racismo em conferência virtual sobre diversidade

linkedin destaque
Funcionários do LinkedIn aproveitaram o anonimato para postar comentários racistas durante a videoconferência sobre diversidade e justiça racial
Anúncio
Samsung  campanha  Connected Living para promover conectividade de produtos  do lar

Alguns funcionários do LinkedIn publicaram comentários questionando a pauta antirracista, e defendendo o racismo como ponto de vista durante uma conferência virtual sobre diversidade e justiça racial. A ideia do fórum, realizado pela empresa, era ser uma oportunidade para que os funcionários se unissem para discutir como poderiam apoiar um ao outro.

Como o chat permitia o anonimato, alguns funcionários aproveitaram esse recurso para publicar comentários racistas e questionar a eficácia dos protestos motivados pela morte de George Floyd, sem sofrer consequências e represálias. No dia seguinte ao evento, o CEO Ryan Roslansky se desculpou, em nota na rede social, pelo ocorrido

O executivo reconheceu que permitir que funcionários postassem comentários anonimamente foi um erro, e disse que a empresa não ia permitir que isso ocorresse de novo.

Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn
Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, pediu desculpas pela conduta dos funcionários na conferência

“Nós não somos e não seremos uma empresa ou plataforma em que racismo ou discurso de ódio é permitido”

Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn

A situação envolvendo o LinkedIn, que atualmente é da Microsoft, aconteceu num contexto em que as empresas de tecnologia do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), buscam entender o que realmente significa oferecer ambientes inclusivos. Enquanto os CEOs da Amazon e do Google manifestaram publicamente apoiar o movimento “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”, em tradução livre), foi apontado que ferramentas desenvolvidas por essas empresas são usadas pela polícia contra a comunidade negra.

‘Todos Juntos’: A conferência sobre diversidade do LinkedIn

Realizada na quarta-feira (03) na plataforma BlueJeans, a videoconferência tinha o objetivo de dar uma chance para a comunidade global do LinkedIn se unir para discutir sobre inclusão e aliança. A vice-presidente de diversidade da empresa, Rosanna Durruthy, conversou com um painel de funcionários sobre suas experiências com o preconceito e discutiu sobre como os colegas de trabalho poderiam ser aliados melhores nesta causa.

Funcionários da empresa contaram ao The Verge que ficaram comovidos com a vulnerabilidade relatada pelos colegas e que aprenderam com as histórias que foram compartilhadas neste painel sobre diversidade. A parte do chat era para ser um espaço onde quem assistia podia comentar e enviar perguntas sobre o que estava sendo discutido. Mas, por conta do anonimato, virou um espaço hostil durante o evento virtual.

Uma funcionária relatou ao The Verge que ficou pasma ao ler um comentário abertamente racista publicado por um colega de Fiji. “Todo mundo [da empresa] teve acesso à literatura da comunidade negra para entender melhor o que eles enfrentam. Para mim, os comentários dele não foram apenas ignorantes, mas um esforço para nem tentar entender”, disse ela.

Manifestantes na rua
Manifestantes pedem justiça pela morte de George Floyd em Minneapolis, no Minnesota (EUA)

Outros funcionários se manifestaram, durante o evento, dizendo que se sentiam ameaçados, chocados e destruídos pelos comentários preconceituosos que estavam sendo publicados. Inclusive, essa onda de comentários racistas chegou a ofuscar uma discussão legítima que alguns funcionários estavam tentando conduzir no chat sobre a violência policial contra a comunidade negra.

Outro funcionário disse ao The Verge que não é uma surpresa ver que existem pessoas racistas numa empresa em que “48% [dos funcionários] é branca”. “O que mais foi problemático para mim foi [o contexto] que era um evento motivado pelos protestos, copatrocinado pelo nosso grupo de recursos composto por funcionários negros. Então eles postarem esses comentários foi muito insensível”, relatou.

Na nota, o CEO do LinkedIn disse:

“Muitos de vocês compartilharam que a parte mais difícil foi perceber que essa empresa que amamos ainda tem muito trabalho pela frente para nos educar sobre como criar uma cultura que seja realmente antirracista. Nós faremos isso”

Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn

O executivo também apontou que nas próximas videoconferências realizadas pela empresa não será permitido publicar comentários de forma anônima.

De acordo com um relatório publicado em 2019, 47,5% dos funcionários do LinkedIn são brancos, 40,3% são asiáticos, 5,9% são latinos e 3,5% são negros.

Fontes: Daily Mail, The Verge e Wired

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar um comentário