Facebook se recusa a pagar empresas de comunicação para veicular notícias na Austrália

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Empresa rejeitou o código de conduta da Comissão Australiana de Concorrência e Consumo (ACCC), que sugere que Facebook e Google paguem para veicular notícias
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O Facebook anunciou oficialmente nesta segunda-feira (15) que se recusa a pagar empresas de comunicação para veicular suas notícias em feeds de usuários na Austrália. Segundo a empresa, remover as notícias dos feeds não teria impacto significativo em suas receitas.

Em maio, a Comissão Australiana de Concorrência e Consumo (ACCC) elaborou um código de conduta que sugeria que Facebook e Google pagassem as empresas de comunicação pela veiculação de suas notícias e outros conteúdos. A comissão elaborou esse código de conduta a pedido do ministro das Finanças, Josh Frydenberg.

A medida foi motivada pelo impacto da pandemia do novo coronavírus na receita publicitária dos veículos de comunicação. Além disso, a ACCC recomendou a revisão das normas existentes para os negócios das gigantes tecnológicas após realizar uma investigação sobre o poder das plataformas digitais durante 18 meses.

Na Austrália, o número de jornalistas da imprensa escrita e digital caiu mais de 20% desde 2014. Isso aconteceu porque a receita com publicidade digital foi captada pelo Facebook e Google. A ACCC chegou a sugerir que as empresas de comunicação boicotassem as gigantes tecnológicas para obrigá-las a pagar para veicular seus conteúdos.

Ministro de Finanças da Austrália, Josh Frydenberg
Ministro de Finanças da Austrália, Josh Frydenberg

Facebook: notícias não são essenciais para os feeds

Em resposta, o Facebook informou que as notícias representam “uma parcela muito pequena” do conteúdo que os usuários consomem nos seus respectivos feeds. Por isso, removê-las da plataforma não causaria impacto econômico significativo para a empresa. E isso já foi comprovado pelo próprio Facebook.

Em janeiro de 2018, a rede social alterou a lógica do algoritmo dos feeds, fazendo-o priorizar conteúdos publicados por amigos e familiares dos usuários, como fotos, vídeos e textos. Isso fez com que menos “conteúdos públicos”, ou seja, de sites externos, aparecessem nos feeds dos usuários. A consequência foi uma redução de engajamento com as notícias.

“Apesar da redução de engajamento com conteúdo noticioso, nos últimos dois anos houve um aumento de receita, sugerindo que o conteúdo de notícias é altamente substituível por outro conteúdo para nossos usuários e que as notícias não geram valor significativo a longo prazo para nossos negócios”, afirmou a empresa.

Smartphone com logo do Facebook
Facebook diz que notícias representam ‘parcela pequena’ do que usuários consomem na rede social

O Facebook apontou também que existe uma “concorrência saudável” entre a rede social e os veículos de comunicação e que não é responsabilidade das empresas privadas de tecnologia investir dinheiro para resolver os problemas que a mídia australiana enfrenta atualmente.

Por mais que tenha se recusado a acatar aos pontos sugeridos pela ACCC, o Facebook apoia a ideia de existir um código de conduta entre as plataformas digitais e os veículos de comunicação. Só que, de acordo com a empresa, fazer esse código de conduta valer apenas para o Facebook e o Google, que são empresas dos EUA, é discriminatório e injusto. A justificativa da rede social é que faria com que as empresas subsidiassem seus concorrentes.

Esse embate que acontece na Austrália mostra como as redes sociais podem afetar os modelos de negócio dos veículos de comunicação. Isso acontece, principalmente, por conta da influência que empresas como o Facebook possuem no direcionamento do tráfego de usuários para os sites de notícia.

Este, inclusive, não é um caso isolado. Na França, por exemplo, a autoridade responsável pela concorrência ordenou que o Google negociasse uma remuneração com os meios de comunicação por usar em sua plataforma fragmentos de conteúdo produzido por eles.

Contribuições do Facebook à imprensa

Apesar dos conflitos de interesses, o Facebook se diz comprometido a apoiar o jornalismo australiano e aponta que chegou a investir, de certa forma, neste nicho.

É que entre janeiro e maio deste ano, de acordo com o Facebook, a rede social garantiu 2,3 bilhões de acessos a conteúdos produzidos por veículos de comunicação na Austrália. A rede social estima que isso equivale a US$195,8 milhões (mais de R$1 bilhão, na cotação atual) para a mídia australiana.

Ilustração de jornal com logo do Facebook
Facebook se compromete a firmar parcerias com veículos de comunicação

Em relação a investimentos gerais neste segmento, o Facebook se comprometeu a investir US$300 milhões em parcerias com veículos de comunicação num período de três anos, em janeiro de 2019. Pouco mais de um ano depois, em março deste ano, a rede social prometeu investir US$100 milhões para apoiar veículos locais de comunicação que sofreram impactos econômicos por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Continuamos a aumentar nossas contribuições financeiras para o setor de notícias — sem fins lucrativos — porque acreditamos que as notícias são um bem público e desempenham uma importante função social.”

Facebook

A rede social sugeriu à ACCC que criasse um “Conselho Australiano de Notícias Digitais”, inspirado no modelo do Conselho Australiano de Imprensa. A ideia seria que esse Conselho atuasse como mediador das reclamações dos veículos de comunicação em relação às plataformas digitais.

Fontes: Bussiness Insider, The Guardian, Folha de S. Paulo

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