Astronautas contam como foi a viagem de volta à Terra na Crew Dragon da SpaceX

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"Não parecia uma máquina, parecia um animal cruzando a atmosfera", descreveu Bob Behnken, um dos astronautas da NASA que estava a bordo da cápsula espacial
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Os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley relataram, numa coletiva de imprensa realizada nesta semana, como foi a viagem de volta ao nosso planeta a bordo da Crew Dragon, cápsula espacial da SpaceX, empresa de sistemas aeroespaciais de Elon Musk.

Após passarem 64 dias na Estação Espacial Internacional (EEI), os astronautas pousaram no mar, na região do Golfo do México, perto da Flórida (EUA). O retorno aconteceu no último domingo (02).

Essa missão, chamada de Demo-2, foi histórica por ter sido o primeiro voo espacial tripulado realizado por uma empresa privada. Além disso, foi a primeira missão em quase uma década em que astronautas são enviados ao espaço a partir dos EUA. Isso não acontecia desde 2011, quando o programa espacial da NASA foi encerrado.

Relato dos astronautas

Cápsula Crew Dragon sendo resgatada no mar
Reentrada na atmosfera chamuscou exterior da Crew Dragon

Na entrevista coletiva realizada no Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston (Texas), os astronautas compartilharam seus primeiros comentários públicos desde que tinham retornado ao nosso planeta.

A dupla descreveu os momentos finais da jornada espacial como tensos. Eles relataram que sofreram ondas de choque quando a Crew Dragon, disparou os foguetes propulsores para desacelerar a descida na reentrada na atmosfera. Os propulsores queimaram por quase 12 minutos, de acordo com os astronautas.

“Não parecia uma máquina, parecia um animal cruzando a atmosfera”

Bob Behnken, astronauta da NASA que estava a bordo da cápsula Crew Dragon

Conforme o veículo espacial desceu, o atrito com a atmosfera chamuscou o escudo que serviu como protetor térmico para a dupla a bordo. As temperaturas do lado de fora chegaram a 1.927 graus Celsius.

Quando a descida desacelerou para 563km/h, o primeiro dos dois jogos de paraquedas foi ativado. Isso diminuiu a velocidade da cápsula de forma bem abrupta, conforme um dos astronautas descreveu.

“Pareceu muito com levar um golpe de um taco de beisebol nas costas da cadeira”, relatou Behnken. Em seguida, o astronauta acrescentou que foi “um grande solavanco”.

Já quando o segundo jogo de paraquedas foi ativado, a diminuição da velocidade da Crew Dragon foi mais gradativa. A cápsula atingiu 24km/h antes de aterrissar na água. Para Doug Hurley, a missão foi impecável. “Estamos até quase sem palavras sobre o quão bem a cápsula aguentou [a viagem] e como tudo deu certo na missão”, contou.

Resgate dos astronautas no mar

Cápsula Crew Dragon sendo resgatada no mar
Cápsula Crew Dragon sendo resgatada no mar

Minutos após a Crew Dragon pousar no mar na região do Golfo do México, equipes de resgate enviadas pela SpaceX içou a nave a um barco. Em seguida, a dupla voou de helicóptero até a costa e de lá pegaram um voo para Houston.

Só que antes dos astronautas voarem para a costa, aconteceram duas coisas inusitadas. A primeira foi que barcos cheio de curiosos invadiram o local de resgate da dupla para dar as boas vindas e acompanhar o processo.

“Não era isso que estávamos prevendo”, disse o administrador da NASA, Jim Bridenstine. “Precisamos fazer um trabalho melhor da próxima vez, com certeza”, afirmou, o que deixa claro que a NASA não quer barcos particulares por perto nos próximos resgates.

O local de pouso de uma nave espacial é uma área de resgate, que envolve uma operação delicada sujeita a muitos imprevistos.

Cápsula Crew Dragon sendo resgatada no mar
Barqueiros curiosos durante resgate da Crew Dragon

“Agradecemos ao pessoal que quis participar da ocasião mas existem algumas questões de segurança que vamos precisar rever. Isso não pode acontecer de novo”

Doug Hurley, um dos astronautas da NASA que estava a bordo da Crew Dragon

Já o outro causo envolve os astronautas e ligações por satélite. É que enquanto esperavam as equipes de resgate, Hurley contou que eles completaram um último teste da missão: “Passar trotes por ligações por satélite para qualquer um que atendesse”.

Só que, apesar da diversão, havia também uma questão de segurança. Eles precisavam provar que conseguiam entrar em contato com o controle da missão usando um telefone por satélite, caso a equipe chegasse do espaço em uma parte inesperada do oceano.

Depois de checarem se a linha estava funcionando, eles ligaram para colegas e familiares. “Oi, aqui é o Bob e o Doug. Estamos no oceano”, diziam os dois, relembrou Hurley.

O astronauta disse que participar e compartilhar essa jornada foi uma das grandes honras da sua vida.

Fontes: Futurism e Reuters

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