AstraZeneca deixa de compartilhar tecnologia da vacina por falta de engenheiros

Vacina astrazeneca
Compartilhar tecnologia da vacina contra a COVID-19 pode agilizar imunização em países mais pobres, mas esbarra na capacitação de novos parceiros para fabricação

Devido à escassez de doses, sobretudo em países mais pobres, e a falta de suprimentos para a fabricação dos imunizantes contra a COVID-19, aumenta a pressão em cima das farmacêuticas para compartilhar tecnologia da vacina e acelerar a vacinação. 

Ativistas da saúde querem que a AstraZeneca, Pfizer, Moderna e outras abram mão dos direitos de propriedade intelectual de suas vacinas e forneçam seus conhecimentos científicos e tecnologia a outros fabricantes ao redor do mundo, para agilizar a produção em massa dos imunizantes.

Além dos ativistas, governos e até a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão incentivando a troca de informações sobre a tecnologia das vacinas no intuito de “aumentar drasticamente o fornecimento global”. Uma pesquisa divulgada pelo Independent também constatou que a maior parte da população de países que compõem o G7, os sete países mais industrializados do mundo, acreditam que as farmacêuticas devem compartilhar seus conhecimentos e querem que o governo intervenha para evitar o monopólio dos imunizantes.

Compartilhar tecnologia da vacina depende de mão de obra, segundo AstraZeneca

Compartilhar tecnologia da vacina astrazeneca
AstraZeneca acredita que compartilhar tecnologia da vacina não é o suficiente para garantir a fabricação em grande escala do imunizante

Indo na contramão, a AstraZeneca informou que não pode compartilhar tecnologia da vacina por falta de engenheiros. Segundo Pascal Soriot, CEO da empresa, a fabricação do imunizante é um processo complexo. Mesmo se a AstraZeneca compartilhar a tecnologia da sua vacina será preciso treinar os profissionais para transferir a tecnologia necessária para produzir as doses. 

Pascal acrescentou ainda que “os engenheiros estão trabalhando a todo vapor com os parceiros existentes” e que não possui mão de obra suficiente para oferecer treinamentos para outros fabricantes. Até o momento, a AstraZeneca tem 20 parceiros em 15 países e afirmou que não obteve lucros com as vendas das vacinas. 

“A solução é aumentar o rendimento das fábricas existentes, não criar mais fábricas, porque não temos engenheiros para instruir e treinar as pessoas”.

Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca

A notícia repercutiu rapidamente e a farmacêutica começou a receber diversas críticas. Para o integrantes do Global Justice Now, grupo que luta pelo direto ao acesso a vacina, a AstraZeneca está “inventando desculpas para sua cumplicidade no apartheid de vacinas”. 

Segundo Heidi Chow, gerente sênior de política do Global Justice Now, se a farmacêutica tivesse interesse real em compartilhar tecnologia da vacina, já deveria ter “autorizado a transferência de tecnologia desde o início ou cooperado com a OMS” o que não aconteceu. Integrantes da organização People’s Vaccine Alliance, também criticaram a AstraZeneca e estão pressionando a empresa a compartilhar sua tecnologia da vacina.

Confira também: Inovações tecnológicas que ajudaram durante a pandemia.

Fonte: Business Insider [1] e [2]; Independent; Global Justice Now

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