Amazon e Magalu têm interesse no processo de privatização dos Correios

A privatização dos Correios já é dada como certa no governo Bolsonaro e já há quatro grandes empresas interessadas na operação
Apesar de já ser considerada como certa, ainda não há data para o processo de privatização dos Correios; cinco grandes empresas já estão interessadas
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Durante uma live no Instagram nesta quarta-feira, 16, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que o governo Bolsonaro deve fazer a privatização dos Correios e que já há grandes empresas interessadas nesta operação. Segundo ele, entre elas estão as gigantes Magazine Luiza, Amazon, DHL e FedEx.

A transmissão foi realizada no perfil de um influenciador digital de investimentos e tratou de outras questões, como a venda da operadora Oi. De acordo com Faria, o processo de privatização já é certo.

“O importante é que já tem cinco players interessados. O Magalu é um deles, a Amazon, a DHL e FedEx também. Já tem pessoas, grupos interessados na aquisição dos Correios, então isso é importante, porque não teremos um processo de privatização vazio”, afirmou o ministro na interação com o influenciador.

No entanto, Fábio levantou algumas questões sobre a condução da venda, pois, diferente das outras empresas de logística, os Correios atendem todo o território nacional e muitas cidades dependem exclusivamente deste serviço de correspondência.

“Em relação às entregas, se vai entregar no interior da Amazônia, do Rio Grande do Sul, em todos os estados? Em relação aos funcionários, quem vai continuar? O debate disso é no Congresso Nacional”, disse.

O ministro pareceu bastante preocupado com este assunto. Ele, inclusive, afirmou que pediu para que esse tema ficasse sob sua responsabilidade no ministério. O próprio deputado licenciado pretende fazer a articulação política e viabilizar a tramitação de um projeto de privatização dos Correios junto ao Congresso e ao Senado.

“[Correios] ficou no guarda-chuva do ministério a pedido meu, porque nós precisamos aprovar dentro do Congresso Nacional. Uma consultoria já foi contratada pelo BNDES para nos subsidiar em relação à privatização e eu vou, pessoalmente, conversar com os parlamentares em relação a esse tema”, concluiu o responsável pela pasta.

Segundo o portal do Programa de Parcerias de Investimentos do governo, a privatização dos Correios ainda está na fase de estudos. Conforme adiantou a imprensa, a instituição contratada para fazer a consultoria da operação é a Accenture, uma das principais empresas de consultoria e gestão do mundo. O governo afirma que ” editais só serão lançados depois de passar pelo debate público e obter aval do TCU (Tribunal de Contas da União)”.

Privatização dos Correios não é consenso entre os brasileiros

Apesar de ser uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, a privatização dos Correios não é unanimidade na população brasileira. É o que mostra uma pesquisa Exame/IDEIA, publicada na última semana.

Segundo o levantamento, 40% dos brasileiros são favoráveis à privatização dos Correios. Na contramão, cerca de 37% da população é contrária à venda da empresa e 14% dos brasileiros não são nem a favor, nem contra a operação.

Considerando a margem de erro, que é de três pontos percentuais, o número de brasileiros contrários e a favor é o mesmo. O levantamento contou com a participação de 1.235 pessoas e foi realizado entre os dias 24 e 31 de agosto, durante a greve dos funcionários da Companhia.

Funcionários permanecem em greve há um mês

Comentários sobre a privatização acontecem durante a greve dos funcionários, que já perdura por mais de um mês
Comentários sobre a privatização acontecem durante a greve dos funcionários, que já perdura por mais de um mês

A greve dos Correios já passa de um mês. A categoria anunciou a paralisação em 17 de agosto, durante a pandemia do novo coronavírus, depois que propostas de privatização e alteração nos benefícios trabalhistas começaram a ser discutidas.

Segundo a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios), entidade que representa a classe, também houve reclamações sobre descontos indevidos nos pagamentos dos funcionários e reduções de 30% no adicional de risco. A adesão à greve por parte dos trabalhadores foi de 30%.

Durante a live, o ministro também comentou sobre essa paralisação. “Não é pelo mérito da greve, mas eu acho que isso foi muito ruim para eles porque é um momento em que todos precisam dar o melhor de si. Tem pessoas se virando para trabalhar, conseguindo fazer vários ‘bicos’, e esse não é o momento de você paralisar um serviço que é universal e essencial”, comentou Faria. “Se a empresa fosse privada não teria esse problema”, opinou.

Em nota, os Correios afirmam que “os sindicatos exigiram a manutenção dos termos determinados no dissídio anterior, recusando-se a abrir mão dos privilégios concedidos em tempos de prosperidade ou, ainda, como solução para findar greves antes que estas corroessem o caixa da empresa de forma irreversível”.

Sobre o assunto, a Companhia defende ser imprescindível que acordos coletivos reflitam o contexto em que são produzidos. “Ao mesmo tempo em que devem manifestar a disponibilidade da empresa em repartir lucros com seus empregados, não podem contribuir para a sua falência ou a acumulação de prejuízos”, conclui o comunicado.

E você, qual a sua opinião sobre a privatização dos Correios? É favorável, contra ou não sabe opinar? Comente aqui embaixo e compartilhe essa notícia nas suas redes sociais.

Fonte: Exame, Depositphotos

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